Como não poderia deixar de ser, o Arbifute entrou em contacto com o árbitro Rui Silva, para obter algumas palavras sobre o seu regresso à competição, depois de 20 meses de castigo. O árbitro da AF Vila Real, foi claro nas suas respostas, e demonstra estar completamente confiante nas suas excelentes capacidades enquanto árbitro.

- Como se passa 20 meses de suspensão? Rui Silva: Quando abraçamos a carreira da arbitragem nunca imaginamos passar por uma situação destas. Mas quem gosta da arbitragem e sente a consciência limpa e tranquila regressa. É aquilo que estou a fazer e pretendo voltar a ser feliz e alcançar objectivos desafiantes.
A seguir à minha família a arbitragem é tudo para mim.
- Neste longo tempo de ausência dos relvados, algumas vezes pensou em desistir, ou ainda ganhou mais forças para continuar?
Rui Silva: No inicio foi complicado mas com o decorrer do tempo fui percebendo que a arbitragem tem muito significado para mim e por conseguinte fui materializando a ideia de regressar ainda com mais força.
Senti também muito apoio e incentivo de pessoas com grandes responsabilidades na arbitragem portuguesa.
- O Rui irá integrar o lote de árbitros da 2ª divisão, sendo um candidato natural à descida, sente que isso o pode prejudicar?
Rui Silva: Candidato à descida, não compreendo a pergunta.
Sou candidato às mesmas coisas que os restantes árbitros da 2ª divisão: Subida, Manutenção e Descida. A única diferença é que tenho 10 jogos para atingir uma das duas primeiras situações que lhe referi.
Sinceramente não me passa pela cabeça a descida de divisão, no entanto tenho muito respeito pelo valor dos meus colegas que são excelentes árbitros e me merecem toda a estima e consideração.
- Apesar do pouco tempo que esteve na primeira liga, o Rui marcou a arbitragem, onde até o classificaram como "jovem prodígio da arbitragem portuguesa". Regressar aos grandes palcos é um objectivo ou será uma luta muito difícil?
Rui Silva: Será um objectivo e não uma obsessão mas com toda a humildade lhe digo que considero ter valor para voltar ao mais alto escalão da arbitragem.
A luta será difícil porque os restantes árbitros também têm muito valor mas eu considero-me um homem muito lutador.
- Como se preparou a nível técnico, físico e psicológico para o curso de aperfeiçoamento e para a entrada na época 2009/2010?
Rui Silva: Foi mais difícil a actualização técnica (leis de jogo) do que a actualização física.
Fisicamente continuei sempre a treinar ao longo de todo este tempo porque adoro fazer desporto.
Os treinos deram-me a capacidade psicológica para me manter activo e com esperanças de ter forças para o meu regresso.
Ao nível das leis de jogo, nos primeiros 8 meses da suspensão fui convidado pelo presidente Vítor Pereira para contribuir para a construção de uma base de dados de perguntas e respostas promovida pela LPFP. Esta situação permitiu-me estar em contacto com as leis. Depois desse trabalho afastei-me completamente e por conseguinte, agora, tive de fazer um esforço extra para me preparar pois verificaram-se algumas alterações das quais eu não tinha conhecimento por estar impedido de participar nos cursos de reciclagem.
Fiz um estudo intensivo para este primeiro curso e tudo correu como tinha planeado.
Neste momento sinto-me completamente actualizado no que às leis de jogo diz respeito.
- Em entrevista ao ARBIFUTE, Bertino Miranda propôs como medida radical na arbitragem, "os árbitros pararem a sua actividade enquanto o castigo do Rui Silva não fosse retirado". Sente que houve um apoio forte de alguns colegas da arbitragem?
Rui Silva: O apoio dos árbitros da LPFP foi absolutamente excepcional ao nível da melhor arbitragem do mundo. O Bertino Miranda foi um AA que trabalhou comigo em alguns jogos, inclusive esteve no meu primeiro jogo na LPFP e sabe muito bem a pessoa que eu sou e a minha extrema dedicação e profissionalismo em relação à carreira da arbitragem. Portanto, não me surpreendem as suas palavras.
- Como tem acompanhado a arbitragem portuguesa? Houve mudanças ou continua tudo como o país?
Rui Silva: A arbitragem portuguesa tem evoluído gradualmente e está muito melhor do que quando iniciei há 13 anos atrás. Isto quer a nível da FPF quer a nível da LPFP.
Temos árbitros e árbitros assistentes em Portugal tão bons ou melhores do que os de outras grandes ligas europeias e mundiais.
- Uma mensagem para todos os leitores e para todos árbitros que estiveram ao lado do Rui nestes 20 meses de calvário?
Rui Silva: Queria agradecer tudo o que fizeram por mim e dizer-lhes que cá estarei para fazer o que sempre fiz: “Servir a arbitragem e nunca me servir dela”.
Posso durar 100 anos mas nunca me esquecerei da onda de solidariedade e amizade que me demonstraram.
Terem acreditado em mim, na minha honestidade foi muito mais importante do que ter atingido o mais alto patamar da arbitragem.
O Arbifute agradece a disponibilidade do Rui, desejando-lhe um excelente final de época, e que consiga rapidamente atingir os objectivos propostos nesta nova etapa na arbitragem.
